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11 novembro 2019

02 novembro 2019

22 outubro 2019

11 novembro 2019

Ponderações de Haroldo Dutra Dias sobre Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho


Por : Haroldo Dutra Dias...

"Eu queria fazer uma ponderação sobre a obra, sobre o paradigma. Nós lemos o título: Brasil, Coração do mundo, Pátria do Evangelho (Humberto de Campos/Chico Xavier), e imaginamos o quê? Uma nação que seria modelo econômico, modelo político, modelo social, e que desfilaria como uma grande rainha, com vestes brilhantes, e o mundo ajoelhado, adorando-a. 

Mas isso não é Jesus!

A obra começa com a visita do Cristo à Terra, e ele vem como gestor, vem como governador do mundo, e pede um inventário do cristianismo, e todo mundo fica envergonhado. O semblante do Cristo fica contrito, porque depois de mais de 1500 anos de Evangelho no mundo, os resultados eram pífios. Aí diz Humberto de Campos: o semblante dos anjos fechou-se. É grave.

Então o quê Cristo decide? Mudança do quartel. Desloca. Escolhe um ambiente geográfico. Porque magneticamente o Brasil é coração do mundo. E o Cristo faz então o transplante da Árvore do Evangelho. Aí nós vemos a nomeação do Governador (espiritual), Ismael. 

Quando a coisa começa "esquentar", Ismael pede uma reunião com Cristo. Em frente a Jesus, Ismael, o Anjo; quando ele começa a falar, não dá conta, chora. Os problemas já eram gigantes. Chora porque, fala: "Não vai dar certo!". "Mestre, não dá. O Senhor pediu pra formar essa nação com o povo mais simples da Europa, o mais trabalhador, porque os outros estavam viciados no materialismo e na posse. O Senhor pediu que trouxesse a contribuição da África, da Mãe África, só que estão escravizando todo mundo. E o Senhor pediu que tivesse a contribuição do povo simples de lá, dos índios, só que o Senhor não imagina o que estão fazendo!" E chora.

E aí, Jesus, dá a solução: "Ismael, você vai nas regiões mais tenebrosas da Terra, e vai chamar todos os espíritos que faliram nas Cruzadas, todos que faliram na Inquisição, todos os políticos corruptos da Terra, todos os religiosos que se desvirtuaram por 3, 4 mil anos...

"Mestre... Qual que é a ideia?"

"A ideia? Manda todo mundo pro Brasil!"

Ismael vai, levanta a bandeira "Deus, Cristo e Caridade", uma turba de espíritos infelizes segue o Anjo e encarna no Brasil.

Conclusão, o que que o Cristo quis dizer a Ismael?

"Eu não vim pros sãos, eu vim pros doentes! Brasil é Hospital! Não é galeria de arte. Esse país não foi feito para exibir santos, foi para regenerar seres."

Aqui está reunida, nesta nação, o que há de pior. E por quê? Porque aqui é o Grande Hospital do Cristo.

O Brasil não será o Coração do Mundo, a Pátria do Evangelho. O Brasil já é."

02 novembro 2019

Finados

Os Espíritos acodem nesse dia [finados] ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer (LE, 321).

De acordo com alguns historiadores, o dia consagrado aos mortos originou-se dos antigos povos da Gália (atual França), os quais, então conhecedores da indestrutibilidade do ser, honravam os Espíritos e não os cadáveres, como, infelizmente, se faz na atualidade.

Esse dia, popularmente chamado de “finados”, é uma tradição mundial, cuja origem se perde na noite dos tempos, e que revela a intuição do homem sobre a imortalidade da alma. Finado é o particípio passado do verbo “finar”, que significa o indivíduo que morreu, findou, faleceu.

Trata-se de uma cultura adotada por todos os povos e quase todas as religiões. Esteve inicialmente muito ligada, na Antiguidade, aos cultos agrários ou da fertilidade. Acreditava-se que os mortos, como as sementes, eram enterrados com vistas à ressurreição. Em vista disso, o primitivo dia de finados era festejado com banquetes e orgias perto dos túmulos, costume disseminado em várias civilizações do passado.

Após a morte do tirano Mausolo, rei de Cária, antiga região da Ásia Menor (377 a 353 a.C.), sua esposa Artemísia determinou a construção de um enorme edifício, ricamente enfeitado, para abrigar o corpo do soberano. Esta construção ou monumento funerário é considerado uma das maravilhas do mundo antigo, dentre as quais despontam as Pirâmides do Egito, que até hoje constituem morada dos restos mortais dos antigos faraós.

Daí surgiu a palavra mausoléu para identificar os sepulcros de grandes proporções.

Entretanto, somente no final do século X é que foi oficializado pela Igreja de Roma o “culto aos mortos”, com o nome de “finados”, destinado precisamente aos Espíritos que estariam no “purgatório”.

Para o Espiritismo, este é um dia como qualquer outro, uma vez que a ida ao cemitério é a representação exterior de um fato íntimo. As pessoas que visitam um túmulo manifestam, por esse costume, que pensam no Espírito ausente, embora muitas o façam apenas para se desincumbir de mais uma “obrigação social” no calendário humano.

Para homenagear o ente querido que partiu antes de nós, não é preciso, necessariamente, ir a cemitérios, via de regra repleto de túmulos caiados, tétricos e poídos, porque lá repousa apenas o envoltório do Espírito (corpo físico).

O que sensibiliza o Espírito não é propriamente a visita à sepultura, mas a lembrança fraterna e a prece sincera daquele que ficou na Terra, o que pode ser feito a qualquer momento e em qualquer lugar. Por isso, o dia de finados não é mais importante, para os desencarnados, do que outros dias. A diferença entre o dia de finados e os demais dias é que, naquele, mais pessoas chamam os Espíritos pelos pensamentos.

O costume de as famílias sepultarem os restos mortais de seus membros em um mesmo lugar é útil do ponto de vista material, entretanto, para as Leis Divinas, essa cultura nenhum valor tem, do ponto de vista moral, a não ser tornar mais concentradas as recordações dos parentes.

O Espírito que atingiu um determinado grau de perfeição, despojado que se encontra das vaidades terrenas, compreende a inutilidade dos funerais pomposos, que servem mais aos que ficam do que aos que partiram.

Muitas vezes, o Espírito assiste ao seu próprio velório, não sendo raro as decepções que experimenta, ao se defrontar com alguns visitantes falando mal do “extinto”, contando piadas ou em conversas sobre negócios regadas a bebida alcoólica, sem qualquer respeito pela memória do recém-desencarnado. Mais decepcionado este fica, ainda, quando assiste às reuniões dos herdeiros, disputando, em brigas acirradas, a divisão dos bens do espólio.

As imagens e evocações das palestras dos presentes incidem sobre a mente do recém-desencarnado, o qual, na maioria das vezes, por ausência de preparo espiritual e desconhecimento das Leis Naturais, embora morto biologicamente, ainda não se desligou, mentalmente, dos despojos, o que lhe traz muito sofrimento, inclusive sensações desagradáveis, perturbações e pesadelos, dificultando ainda mais o seu desenlace (ver, no it. 7.4.7, a diferença entre desencarnação e morte biológica). 

O fato é que a menção do nome do próprio falecido e de outros mortos transforma-se em verdadeira invocação, atraindo-os ao ambiente em que nos encontramos (consultar cap. 14, da obra Obreiros da vida eterna, do autor espiritual André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, um caso prático de evocação inconsciente ocorrido num velório).

Qual, então, deve ser a nossa conduta, nessas ocasiões? A mesma postura de respeito que devemos ter para com qualquer pessoa encarnada. Uma prece sincera, um pensamento simples, mas bondoso, endereçado aos entes que partiram, valem mais do que mil coroas de flores e solenidades fúnebres.

Todavia, não nos esqueçamos de que mais importante não é o comportamento nosso na hora da desencarnação de um ente querido, ou no momento de nossa própria morte física, mas sobretudo a conduta que devemos ter durante toda a nossa existência física, pois que, sendo Espíritos imortais, nossa vida é uma constante preparação para a morte, razão pela qual é preciso viver bem para morrer bem.

22 outubro 2019

As flores que Deus nos deu

Ao compor o nosso lar Terra, Deus o encheu de flores. Certamente para amenizar as dificuldades que temos que enfrentar por aqui.


Interessante que, em as observando, passamos a lhes conferir valores e as escolhemos como símbolos de afeição, sinceridade, amizade. Até de movimentos sociais.

Quando estão abertas, elas simbolizam a natureza em seu maior esplendor. Representam a glória e refletem tudo o que esteja ligado à beleza, à juventude, à paz, ao Espírito e à primavera.

Para os astecas e os maias, as flores possuíam uma simbologia sagrada e de perfeição.

Isso porque os jardins repletos de flores representavam não somente um ornamento, mas estavam associados aos deuses e à criação do Universo.

Por sua vez, nas passagens bíblicas elas surgem como símbolos da beleza, do amor.

Jesus se serve dos lírios e da erva do campo para falar da Providência Divina.

Nas culturas ocidentais, a flor-de-lis e o lírio simbolizam a pureza, a virgindade, a beleza e a renovação espiritual.

Em alguns momentos, flores se tornaram símbolos de momentos marcantes.

Os cravos, por exemplo, são conhecidos como as flores do recomeço.

No dia 25 de abril de 1974, aconteceu a Revolução dos Cravos, um marco para a democracia portuguesa, que deixava para trás um passado trágico, regido pela ditadura.

Os soldados colocaram cravos vermelhos na ponta das armas e assim, a flor ficou simbolizando a nova fase política daquele país.

Por sua vez, a camélia, favorita dos mandarins e monges chineses, foi imortalizada pelo famoso escritor Alexandre Dumas, em seu romance A dama das camélias.

Na História brasileira, conforme os escritores que descreveram as lutas abolicionistas, na segunda metade do século XIX, a camélia era símbolo do movimento.

A escolha dessa flor se deu porque havia, no Rio de Janeiro, um famoso quilombo no bairro do Leblon onde eram produzidas flores, especialmente camélias, que abasteciam a então capital do país.

Desde muito que a camélia, natural ou artificial, era um símbolo da ala radical do movimento, utilizada inclusive como senha para a identificação dos seus participantes.

Os que se envolviam mais perigosamente no movimento, apoiando fugas, criando esconderijos, usavam camélias.

Qualquer escravo que fugisse encontrava um protetor, identificando-o pela camélia que a mulher ostentava no decote e o homem na lapela.

A própria Princesa Isabel era vista, em público, com camélias no decote. O palácio imperial de Petrópolis, por sua iniciativa, teve seus jardins cobertos de cameleiras.

Em 13 de maio de 1888, no momento em que assinava a Lei Áurea, foram-lhe entregues dois buquês de camélias.

Um era artificial, em nome do movimento vitorioso.

O outro, de flores naturais, vindas do quilombo do Leblon, enviadas por gente do povo, que o abolicionista Rui Barbosa definiu como a mais mimosa das oferendas populares.

Flores, dádivas de Deus para alegrar e perfumar as nossas vidas.

Quem as pode contemplar sem se emocionar com a beleza, o aroma, as cores tão diversas, que falam da generosidade de um Deus Pai, Amoroso e Bom?

Redação do Momento Espírita.
Em 22.10.2019.

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