Um dos mais conhecidos escritores brasileiros, Humberto de Campos Veras nasceu em Miritiba — hoje Humberto de Campos — no Maranhão, aos 25 de outubro de 1886; desencarnou no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1934.

Na então Capital da República, Humberto de Campos tornou-se famoso como brilhante jornalista e cronista; suas páginas foram “colunas” em todos os jornais importantes do País. Dedicou-se inteiramente à arte de escrever. Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1919. Exerceu o mandato de deputado federal por seu estado natal, tendo seus mandatos sucessivamente renovados até ser cassado com a Revolução de 1930.

Escritor extremamente popular por atender a perguntas de missivistas e visitantes, fez-se amado por todo o Brasil, especialmente na Bahia e em São Paulo. Adotou vários pseudônimos, inclusive o de Conselheiro XX. Esse depois veio a ser adaptado para os livros espíritas, como Irmão X. Quando adoeceu, modificou completamente o estilo literário.

Obra recente, O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos[1], oferece uma excelente oportunidade para se conhecer o escritor Humberto de Campos, com base em seus livros como encarnado e como Espírito pela psicografia de Chico Xavier, e ainda com lances sobre sua vida desde a infância. O autor Cláudio Bueno da Silva focaliza momentos da vida de Humberto de Campos e relaciona suas obras como encarnado com as escritas pela psicografia de Chico Xavier.

Cláudio Bueno da Silva destaca que Humberto de Campos sempre focalizou a questão da morte: “Eu sou, ordinariamente, um homem que tem medo da morte” e o dilema “a certeza de que os outros aqui ficam e o morto não sabe para onde vai”. Numa crônica sobre Finados, anotou: “Parece que a Morte, neste momento, se acha confundida com a Vida.” De outra feita, registrou o medo de “ter a sua memória enterrada com seu corpo”, e ainda “espiando a morte, conhecer o engano da vida”[1].

Assim, o autor citado não considera Humberto de Campos um materialista clássico: “se dizia cético, é curiosa a sua insistência em tratar dos assuntos transcendentais, místicos, religiosos, cuidando da vida e da morte. (...) usava a ironia para disfarçar certo interesse recôndito. (...) O ceticismo em Humberto de Campos talvez não tivesse raízes tão profundas.” O autor destaca que as crônicas do livro Sombras que sofrem, publicado no ano da desencarnação de Humberto de Campos, em 1934, mostram este último “preocupado em ajudar o próximo com as melhores ‘armas’ de que dispunha e que manejava muito bem: as palavras e as ideias”[1].

Com frequência, o escritor maranhense fazia referência a textos bíblicos e casos relacionados com a Judeia. Escreve crônicas em forma de parábolas, sempre com fundo moral e instrutivo. Enaltece a caridade. Em Mealheiro de Agripa adverte: “Homens ricos e poderosos que vos banqueteais sobre miséria de Lázaro, escutai, se tendes ouvidos, a palavra dos profetas.” Em Notas de um diarista, comenta versículos do evangelista Mateus (19, 16-24) sobre a questão: “Bom Mestre, que boas obras devo praticar para conseguir a vida eterna?”[1]

Fato interessante é que Humberto de Campos era amigo pessoal — e de fazer visitas constantes —, do romancista Coelho Neto, também maranhense e membro da Academia Brasileira de Letras. Soube que seu amigo quando se encontrava abatido era tratado, enquanto dormia, pela esposa e por uma doméstica que o “defumava com ervas prestigiosas”. Coelho Neto veio a se convencer do Espiritismo após um fato inusitado em que teve a certeza da sobrevivência espiritual de sua filha.

Passadas mais de oito décadas da desencarnação, a notoriedade de Humberto de Campos aumentou com as obras “do lado de lá”.

Após o lançamento das primeiras obras assinadas por Humberto de Campos, surgiu o rumoroso processo movido por seus familiares, reclamando direitos autorais, em 1944. Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira (FEB) ganharam a causa no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O assunto ganhou destaque na imprensa leiga da época e transformou-se no tema do livro A psicografia ante os Tribunais, de Miguel Timponi, editado pela FEB. Em função disso, passou a adotar o pseudônimo Irmão X.

Algumas preocupações e focos desenvolvidos em textos pelo escritor Humberto de Campos são identificáveis e ampliados nas obras mediúnicas por Chico Xavier.

Como Espírito escreveu diversas obras pela psicografia do médium mineiro, doze publicadas pela FEB (entre 1937 e 1969): Crônicas de além-túmulo; Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho; Novas mensagens; Boa nova; Reportagens de além-túmulo; Lázaro redivivo; Luz acima; Pontos e contos; Contos e apólogos; Contos desta e doutra vida; Cartas e crônicas; Estante da vida. Também foram lançadas Relatos da vida (1988) pela Editora CEU, e Histórias e anotações (2010) pela Editora Boa Nova.

Particularmente, a obra Boa nova é de grande valor, unindo conhecimentos bíblicos e da região de Israel sob a óptica espiritual.

Sempre admirador do notável literato, ficamos mais sensibilizados pelas repercussões de sua obra, depois de nossas continuadas visitas à cidade de Parnaíba, Piauí, onde existem vários familiares pelo lado paterno. Ali ele viveu alguns anos de sua meninice e plantou um cajueiro, muito citado em seus livros como encarnado. O cajueiro, mais que centenário, originou um logradouro público e passou a ser um monumento vivo da cidade.

Recentemente, em livro que ofertamos àquela comunidade, Os frutos do cajueiro. Ações espíritas em Parnaíba[2], adotamos como símbolo os frutos do cajueiro, estabelecendo a relação com o movimento espírita de Parnaíba, que se desdobra em marcantes obras sociais. E também em função de visitas à cidade, reunimos textos de nossas palestras e entrevistas em eventos espíritas em Parnaíba, pois sempre enfatizamos a repercussão das obras espirituais do famoso escritor, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier. Em nosso livro destacamos e apresentamos um retrato de Humberto de Campos com carinhosa dedicatória de sua genitora, Ana de Campos Veras, que ainda vivia naquela cidade em 1938, endereçada a Chico Xavier — “dedicado intérprete espiritual de meu saudoso Humberto”.

As obras de Humberto de Campos — de cá e de lá — merecem estudos em nossos dias!


1. SILVA, Cláudio Bueno. O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos. 1.ed. Araras: IDE. 2018. 319p.

2. CARVALHO, Antonio Cesar Perri. Os frutos do cajueiro. Ações espíritas em Parnaíba. Parnaíba: Ed. Centro Espírita Caridade e Fé. 2018. 94p.
A epilepsia é uma das enfermidades mais antigas da humanidade. Na antiga Babilônia, eram feitas restrições ao casamento de pessoas epilépticas, com o argumento de que eram possuídas pelo demônio. Já na Idade Média, a epilepsia era considerada uma doença mental e contagiosa, visão que persiste nos tempos atuais nas pessoas desinformadas.

Na Bíblia, encontramos a passagem do “menino epiléptico”, narrada por Mateus (17: 14 a 19), na qual Jesus, “tendo ameaçado o demônio, fez com que ele saísse da criança, que foi curada no mesmo instante”. No livro A Gênese, Allan Kardec explica que a “imensa superioridade do Cristo lhe dava tal autoridade sobre os espíritos imperfeitos, chamados então de demônios, que lhe bastava ordenar que se retirassem para que não pudessem resistir a essa injunção”.

Para nós, espíritos em aprendizado, fazer uma desobsessão é mais complexo. Precisamos ter uma ajuda espiritual e muito carinho com nossos semelhantes, pois o verdugo de hoje foi vítima ontem. Para sabermos se o problema é um processo obsessivo ou carma, devemos analisar os tipos de reencarnação: expiação, provação e missão. A expiação é o resgate, por meio da dor, de erros cometidos em outras existências. Pela provação, temos provas voluntariamente solicitadas pelo espírito, as quais, se bem suportadas, resultarão em seu progresso espiritual. A missão é a realização de qualquer tarefa, de pequena ou grande relevância. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas.

A medicina descreve uma crise epiléptica como uma desordem cerebral, causada por descarga elétrica anormal, excessiva e transitória das células nervosas, decorrente de correntes elétricas que são fruto da movimentação iônica através da membrana celular. 

Existem diversos tipos de crises, como parciais, parciais e completas, generalizadas e tônico-clônicas.

Causas da epilepsia


As causas da epilepsia podem ser desde uma lesão na cabeça como um parto à fórceps. O uso abusivo de álcool e drogas, além de outras doenças neurológicas, também podem gerar a doença. Na maioria dos casos, entretanto, desconhece-se as causas que lhe dão origem. Muitas vezes, o paciente tem as convulsões e os exames realizados dão resultados normais. Divaldo Pereira Franco, no livro Grilhões Partidos, afirma que “mesmo nesses casos, temos que levar em conta os fatores cármicos incidentes para imporem ao devedor o precioso reajuste com as leis divinas, utilizando-se do recurso da enfermidade-resgate, expiação purgadora de elevado benefício para todos nós”.

Vale ressaltar que a medicina terrestre evoluiu, não só porque conta com a cirurgia, que é usada quando o resultado da medicação não foi satisfatório e o médico avalia as possibilidades de sucesso cirúrgico, mas por que os médicos têm se preocupado em adaptar o paciente à vida social e familiar, além da reabilitação aos estudos. 

Muitas vezes, envolvem vários profissionais de diversas áreas, como psicólogos, terapeutas etc., elucidando o paciente e sua família sobre a importância do uso dos remédios e o apoio dos pais nesta caminhada. Estes, inclusive, com receio das crises epilépticas, acabam dando uma superproteção ao filho, temendo que ele se machuque. Essa proteção é normal, mas deixa o epiléptico dependente dos genitores, tornando-o uma criança isolada e fechada.

Algumas pessoas, sem o devido estudo, alegam que a epilepsia é uma mediunidade que deve se desenvolver. Porém, conforme afirma Divaldo Pereira Franco em Grilhões Partidos, vale ressaltar que “não desconhecemos que toda enfermidade procede do espírito endividado, sendo a terapêutica espiritista de relevante valia. 

Porém, convém considerar que, antes de qualquer esforço externo, há que se predispor o paciente à renovação íntima intransferível, ao esclarecimento, à educação espiritual, a fim de que se conscientize das responsabilidades que lhe dizem respeito, dando início ao tratamento que melhor lhe convém, partindo de dentro para fora. Posteriormente e só então, far-se-á lícito que participe dos labores significativos do ministério mediúnico, na qualidade de observador, cooperador e instrumento, se for o caso”.

Existem processos perniciosos de obsessão que fazem lembrar um ataque epiléptico devido à igualdade da manifestação. Também com uma gravidade séria, ainda conforme as palavras de Divaldo, “ocorrência mais comum se dá quando o epiléptico sofre a carga obsessiva simultaneamente, graças aos gravames do passado, em que sua antiga vítima se investe da posição de cobrador, complicando-lhe a enfermidade, então com caráter misto”.

Independentemente do fato do epiléptico estar sob um processo obsessivo ou não, é importante a freqüência ao centro espírita para a reforma íntima e para receber aplicação de passes, que é uma transfusão de energias físio-psíquicas. Porém, mesmo com o tratamento espiritual, o epiléptico deve manter controle com a medicina terrestre, com a aplicação de anticonvulsivos, pois cada caso é um caso.

Reforma íntima


Pode-se fazer um tratamento de desobsessão e o inimigo do passado ser doutrinado, mas a dívida persistirá enquanto não for regularizada, como explica Divaldo no livro. “Considerando-se que o devedor se dispõe à renovação, com real propósito de reajustamento íntimo, modificando as paisagens mentais a esforço de leitura salutar, oração e reflexão com trabalho edificante em favor do próximo e de si mesmo, mudam-se-lhe os quadros provacionais e providências relevantes são tomadas pelos mensageiros encarregados de sua reencarnação, alterando-lhe a ficha cármica. Como vê, o homem é o que lhe compraz, o que cultiva”, descreve.

Gostaria de terminar dizendo para as pessoas que têm epilepsia e seus familiares que jamais desanimem, em momento algum, sobretudo nos momentos mais difíceis, onde a doença parece incontrolável. Os pais são o alicerce para o filho epiléptico e este só poderá obter a cura total ou parcial com o apoio dos familiares e muita fé em Deus.

Ao terminar de ler esta matéria, não se preocupe em ficar remoendo na mente sobre os atos que poderia ter feito no pretérito que lhe fizessem voltar com essa enfermidade. Cuide de sua reforma íntima e espiritual, para que, posteriormente, venha a trabalhar em prol dos mais necessitados. Dessa forma, além de se ajudar a evoluir espiritualmente, ajudará também muitas pessoas que virão ao seu socorro.

ALGUNS CASOS DE EPÍLEPSIA


Caso 1: Livro Grilhões Partidos, de Manoel P de Miranda

Caso Ester: moça, de 15 anos, previamente “normal”. Quadro súbito de contratura generalizada, palidez cutânea, sudorese abundante. Segue-se atitude agressiva do pai, a quem sempre tratou com carinho, seguida de palavras duras, gritos e agitação. Após a medicação injetável, ocorre sonolência intercalada por convulsões.

Diagnóstico espiritual: “Disritmia cerebral secundária a ligação obsessiva, com manifestação do obsessor através de psicofonia atormentada, após a convulsão. O Eletroencefalograma [ECG] era normal antes e após a convulsão. Se não forem evitados os ataques de subjugação, aparecerá lesão cerebral, que já existe no perispírito”.

Ester era espírito com grave débito no passado, com lesão perispiritual na região cerebral. Utilizou sua inteligência para causar prejuízo grave à vida de vários semelhantes.  Observar que após a convulsão seguia-se a fala do obsessor (fala lógica e inteligente), dirigida contra o pai de Ester.

O diagnóstico médico seria crise convulsiva generalizada tônico-clônica seguida de estado crepuscular como a ocorrência de confusão mental, inquietação motora, automatismos, distúrbios da fala, do conhecimento e da ação, após a crise convulsiva.

Esse caso mostra a ocorrência da convulsão são e ressalta a importância da terapia desobsessiva na prevenção de lesão do corpo físico.

Bezerra de Menezes indica o tratamento: “A terapia há de ser múltipla, acadêmica e espírita”, mostrando a importância de usar medicação apesar de ser processo de origem espiritual.

Caso 2: Livro: Nos Domínios da Mediunidade, cap 9.

Caso Pedro: Paciente com doença mental.

Visão espiritual: Observa-se o obsessor ligando-se a Pedro, seguindo-se convulsão generalizada tônico-clônica, com relaxamento de esfíncteres. O mentor Aulus afirma ser possessão completa ou epilepsia essencial e analisa que, no setor físico, Pedro está inconsciente, não terá lembrança do ocorrido, mas está atento em espírito, arquivando a ocorrência e enriquecendo-se. Passado espiritual semelhante aos demais pacientes analisados, com obsessão na espiritualidade antes da atual reencarnação.

Após a prece e o passe dos demais encarnados, ocorre o desligamento do desencarnado, termina a convulsão e Pedro entra em sono profundo.

O mentor Aulus o classifica como médium, mas desaconselha a procura de desenvolvimento mediúnico, até que Pedro desenvolva recursos pessoais no próprio reajuste, com o estudo e reforma íntima, e explica: “Com a terapia desobsessiva exitosa, será possível terminar com os ataques de “possessão”, mas Pedro sofrerá os reflexos do desequilíbrio em que se envolveu, a se expressarem nos fenômenos mais leves da epilepsia secundária que emergirão por algum tempo, ante recordações mais fortes da luta atual até o reajuste integral do perispírito (reflexo condicionado)”.

Esse caso mostra que, apesar de tratar-se de obsessão, não ocorreu a manifestação do obsessor (estado crepuscular) após a convulsão, provavelmente devido ao passe aplicado durante a convulsão, que produziu o desligamento do espírito desencarnado. Fato semelhante ocorreu no caso retirado do Evangelho, onde no texto de Marcos (9: 14-30) observa-se que o jovem apresenta a convulsão e após a interferência de Jesus ele fica “como morto”. Outro ensinamento desse caso é quanto ao prognóstico de cura após o tratamento desobsessivo, analisado pelo mentor Aulus, surgindo a epilepsia secundária a reflexo condicionado.

CONCLUSÃO


Os quadros de epilepsia podem ser provocados por obsessão, mas existem casos sem ação de desencarnados e casos mistos.

Independentemente do caso, com ou sem envolvimento obsessivo, há necessidade de uso de medicação da medicina acadêmica.

Segundo Bezerra de Menezes, a presença do estado crepuscular é diagnóstico de ação obsessiva.

A terapia desobsessiva é altamente eficaz, devendo ser usada como preconiza a obra kardequiana.

O estudo dos casos clínicos sugere que a maioria dos quadros de epilepsia representa processo obsessivo atual ou passado, e que todo paciente epiléptico deve ser abordado com processo terapêutico nesse sentido. As exceções seriam os casos de lesão cerebral no passado ou na vida atual, como nos casos de suicídio.

O quadro secundário a processo obsessivo, se não socorrido em tempo hábil, pode levar à lesão física.

Existe uma seqüência evolutiva do processo de cura: obsessão com lesão física -> obsessão sem lesão física -> epilepsia por reflexo condicionado -> estado convalesceste (com crises dependendo do comportamento do paciente) -> cura.

“Estai de sobreaviso, vigiai e orai, porquanto, não sabeis quando será o tempo.” Jesus - Mc. 13 - 33.

(Extraído da revista Cristã de Espiritismo 23, páginas 12-14)
A palavra gratidão tem sua origem no latim “ gratia” que tem seu significado na palavra graça ou gratus que em sua tradução ao pé da letra significa agradável.

Qualquer coisa pode ser motivo para reclamar ou agradecer, o que fará toda a diferença em nossas vidas será a nossa escolha. Todos podemos e devemos mudar a sintonia da reclamação para o agradecimento.

Quem só reclama e lamenta está perdendo a oportunidade de agradecer, de fazer algo útil na existência e em estar em freqüência com energias positivas.

A insatisfação gera sentimentos negativos que atrapalham o nosso caminhar. Nunca estar satisfeito com o que se é ou com o que possui acaba produzindo sintonia com energias inferiores e negativas.

Na questão 937 do O Livro dos Espíritos, quando Kardec questiona os espíritos sobre a ingratidão : “ A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará mais tarde com corações insensíveis , como o seu próprio foi. Lembrai-vos de todos os que hão feito mais bem do que vós, que valeram muito mais do que vós e que tiveram por paga a ingratidão.”

Nossos sentimentos são resultados dos nossos pensamentos. Devemos ter a percepção que o primeiro sentimento do Evangelho é o sentimento de reverência e gratidão ao criador de nossas vidas: Deus.

Devemos atentar para o que é positivo, registrar as coisas simples e boas, fazer contas de todas as dádivas já recebidas. Semelhante atrai semelhante, reencarnações após reencarnações vamos formando as nossas vidas ao nosso redor de acordo com os nossos pensamentos.

A vida oferece muito mais motivos para agradecer, quem é grato se torna uma pessoa melhor, que atrai o há de melhor. A gratidão faz bem a saúde , é sintonia plena com o plano superior da vida, nos torna felizes e positivos.

Conforme elucida o Evangelho segundo o Espiritismo no capitulo XXVIII no item 28: “ O homem esquece facilmente do bem, para, de preferência, lembrar-se do que o aflige. Se registrássemos diariamente os benefícios de que somos objeto, sem os havermos pedido, quase sempre ficaríamos espantados de termos recebido tantos e tantos que se apagaram da nossa memória com a nossa ingratidão.” É recomendado essa sintonia de percepção com todas as coisas boas que recebemos e aprendemos diariamente, entrar em sintonia com Deus, manter o equilíbrio e a paz intima.

A gratidão é o medicamento do espírito e o sentimento de almas elevadas. Com a disciplina, controle dos nossos pensamentos e atitudes, abandono do costume de reclamar e foco no propósito da vida entramos em conexão direta com os planos elevados e passamos a ter uma postura otimista na vida.

Carecemos de sermos gratos para evoluir. O Espiritismo nos ensina a cultivar a semente do bem em nós mesmo e no nosso próximo. O homem nasceu com a sina do progresso.

Vamos caminhando com muitas energias positivas reconstruindo nossos pensamentos e ações através da gratidão.

“ A gratidão torna o mundo e as pessoas mais belas e mais queridas.” ( Joanna de Angelis)
Não precisas procurar adivinhos para saber o que te espera, nem necessitas daqueles outros que te descubram o passado que já conheces pelas próprias tendências.

A vida é o presente vivo e imperecível.

Na tela das horas, somos o ontem que se foi e seremos o amanhã que virá.

A semente plantada resume todas as nossas cogitações em torno do porvir.

Terás o que cultivas.

Não colherás figos na macieira e vice-versa.

Ciente de que todos os pensamentos e atos são sementeiras de destino, seleciona o material que consideres adequado à tua felicidade e centraliza-o no serviço do bem aos semelhantes.

Do que deres presentemente, recolherás os resultados depois.

O futuro começa agora.

Cede hoje à vida o que possuas de melhor e, amanhã, aquilo que a vida tenha de melhor te responderá.

Chico Xavier & Emmanuel. Livro: Jóia. Lição nº 13. Página 51.
Filhas e filhos do coração,


Na densa noite que aturde a criatura humana, rica de tecnologia de ponta e pobre de sentimentos morais, surge peregrina luz, anunciando o amanhecer. A Nova Era, programada pelos guias da Humanidade, está colocando os seus alicerces no coração das criaturas humanas, preparando o período de plenitude que nos está prometido pelo Senhor desde os dias do Sermão Profético anotado por Marcos no capítulo 13 do seu Evangelho, que as expectativas humanas demoram-se aguardando as dores que deveriam chegar, produzindo a seleção dos trabalhadores do bem na edificação do mundo melhor.

As entidades venerandas que se comunicaram nos dias que precederem a Codificação do Espiritismo, revigoram a promessa de Jesus de que, se não fosse a abnegação de muitos, a destruição seria terrível e por isso o Pai Misericordioso procurou diminuir as dores que pesariam sobre a Humanidade, insatisfeita e invigilante. Anunciaram o momento da grande mudança para Mundo de Regeneração. Essa operação fantástica que vem ocorrendo desde os longínquos dias do surgimento da Doutrina Espírita, codificada na Terra, alcança o seu clímax nestes gloriosos e atormentados dias.

O ser humano, que parece haver perdido o endereço de Deus, atropela, deixando-se arrastar pelo sentimento confuso que lhe domina a mente e atormenta as emoções, sem saber o rumo a seguir. Felizmente, a Doutrina que restaura a palavra do Senhor, volve à praça pública, permanece no ar, é percebida hoje graças aos veículos de comunicação em massa, especialmente pelo método virtual, a todos ensejando informar-se dos acontecimentos transcendentes que estão sucedendo em prol da criatura renovada.

Nestes dias, em que aqui estivemos debatendo questões fundamentais do nosso Movimento, em alto clima de respeito e de paz, os dois mundos intercambiaram, através da mediunidade dilatada pela inspiração, buscando as melhores diretrizes para servirem de alicerce à realização que já se encontra em início.

O Brasil, a pátria do Evangelho, parece despertar do letargo a que vem sofrendo inevitavelmente, em consequência da mudança que se opera no planeta, também desperta para a realidade nova do ser em relação a si mesmo, à sociedade, à vida. E o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, desperto para as realidades novas, compreende que a única diretriz de segurança para o êxito é a vivência do amor, a unificação das entidades em decorrência da união das criaturas humanas.

Conseguistes abordar temas delicados em clima de alta fraternidade, à semelhança do primeiro Concílio, em Jerusalém, em que Pedro e Paulo se encontravam no momento grave da união ou da separação. A humildade de Pedro, ajoelhando-se aos pés do pregador das gentes, reverteu os planos maléficos da divisão, mantendo o Cristianismo na linha direta do amor com Jesus. Assim também, vindes conseguindo essa identificação, colocando ao lado pequenas divergências que, de maneira alguma, podem influenciar o conjunto harmônico que tem por meta a fraternidade universal.

Mas, ainda estamos no período de lutas, como asseverou o insigne Codificador. Dificuldades apresentam-se em toda parte. Perturbações sutis umas, graves outras, eclodem em nossas Casas convidando as pessoas generosas, mas incautas, a divergirem e a dissentirem em lamentáveis processos de obsessões sutis umas, mais graves outras.

Somente o amor pode trabalhar essas anfractuosidades que surgem em nosso Movimento nestes dias de preparação do grande período de libertação da alma humana dos grilhões do passado, das cadeias do ontem que ainda são muito fortes no ego de quase todos nós.

Mantende o coração liberado de preconceitos de qualquer natureza. Abri os braços ao recolhimento das criaturas humanas, porém mantende os postulados da Doutrina invioláveis, sem enxertos de qualquer natureza, porque se é verdade que o pensamento da Codificação evolve cada vez mais, não menos verdade é que o faz dentro das raízes fixadas, pelo Mundo Espiritual, nas obras fundamentais.

O que parece novo é nada mais do que melhor interpretação dos conteúdos básicos do pensamento kardequiano. Mantende a fidelidade ao trabalho do Venerando apóstolo de Lyon, sob os auspícios do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que nessa unidade trabalhemos o coração da Terra para os dias melhores do porvir.

Não temais permanecer fiéis aos deveres abraçados. Os aplausos não significam atitudes de coerência, porque muitas vezes o mal é aplaudido pelos seus aficionados, o erro é divulgado pelos seus apaixonados e o crime, não poucas vezes, goza de cidadania, em razão da intimidade daqueles que ainda se encontram no equívoco e habilmente entretecem as redes fascinantes da degradação e do desequilíbrio.

Jesus, filhas e filhos queridos, é o nosso alvo, é o nosso modelo, é o guia que nos serve de parâmetro para todas e quaisquer realizações. Diante de incógnitas ou de perguntas sem resposta, reflexionai: que faria o Mestre neste momento? E, intentando encontrar a solução que Ele daria, segui a inspiração que vos chegue sempre em tom de fraternidade e de misericórdia e a caridade estará guiando-vos na direção deste alvo, que é o momento final do nosso encontro com o Rabi Galileu.

Nós, os Espíritos-espíritas que estamos convosco, não descansaremos enquanto não se estabeleça na Terra o primado do Espírito imortal. E o materialismo, a crueldade, a dissensão e as extravagantes propostas da indignidade humana, cederão lugar à paz, à beleza, à busca da perfeição, ensejando-nos a perfeita comunhão com o mundo transcendental.

Espíritas, a vós vos cabe hoje a tarefa da recristianização da Humanidade. É verdade que ainda não se logrou a cristianização conforme o Evangelho. A Doutrina, nas páginas escriturísticas da Boa-Nova, ensejou a criação de doutrinas respeitáveis e religiosas, mas não aquela que foi vivida pelo Santo de Assis através da abnegação total e da total entrega ao amor. Renasce agora, desde os dias em que as vozes dos céus desceram à Terra, qual um exército, sob o comando do general da paz, para remover os grandes obstáculos que foram levantados pela incúria e aplainar o grande terreno da solidariedade humana.

A dor ainda é a bênção que Deus oferece aos seus eleitos. Através dela podereis ostentar as condecorações cristãs colocadas em vossas almas, as cicatrizes das feridas derivadas das lutas, do sacrifício e da abnegação. Mas, crede, em momento algum estareis a sós. Mantende-vos alertas para que nunca vos afasteis das diretrizes do sacrifício e da abnegação para os comportamentos louváveis, sem dúvida, mas das glórias ilusórias e dos prazeres e extravagâncias do agrado da maioridade.

Cristo ainda é símbolo de luta e, enquanto houver lágrimas nos olhos e no coração das criaturas humanas, Ei-Lo entre nós, na multidão, enxugando essas lágrimas e esses suores para libertar a criatura de si mesma e cantar o Glória a Deus nas alturas.

Adiante, servidores do bem e da verdade! Que o vosso sinal de identificação seja o amor. Que os vossos atos sejam lavrados da claridade no dia da verdade, sem sombra e sem qualquer manifestação de engodo ou de engano.

Abençoe-nos, filhas e filhos queridos, o Senhor de todos nós! São os votos que fazemos os Espíritos-espíritas aqui convosco hoje, amanhã e sempre.

Muita paz! Um abraço carinhoso do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra

(Mensagem psicofônica do Espírito Bezerra de Menezes recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, realizada em Brasília, em 11 de novembro de 2018. Revisada pelo autor espiritual