A nobreza de um gesto

salva vidasHabitualmente falamos que somente coisas ruins ganham manchete. Que notícia boa não é veiculada porque não vende nem jornal, nem revista.

No entanto, por vezes, um gesto nobre ganha o noticiário internacional.

Assim aconteceu com um palestino que virou manchete mundial, no ano 2005. Ele não protagonizou nenhum dos conflitos que têm abalado as relações e a paz dos povos do Oriente.

O mecânico Ismael Khatib deu uma verdadeira lição de fraternidade ao doar os órgãos de seu filho Ahmed a pacientes israelenses, que necessitavam de transplantes.

O palestino teve seu filho, de apenas doze anos, alvejado por soldados de Israel, durante uma operação de busca no campo de refugiados de Jenin.

O mecânico optou pela doação, inspirado pela perda de seu irmão, de vinte e quatro anos que, não resistindo à longa espera por um transplante de fígado, veio a morrer.

Entre os beneficiados pelo gesto do palestino se encontravam um bebê de sete meses e uma mulher de cinquenta e oito anos.

Alguns eram judeus, árabes-israelenses e uma guria de origem drusa.

Conforme reproduziu o jornal Folha de São Paulo, Khatib teria dito:

Eu me sinto bem pensando que os órgãos de meu filho estão ajudando seis israelenses. Acredito que o meu filho está agora no coração de todo israelense.

O fato repercutiu pelo mundo, exatamente pelos conflitos que envolvem as nações em questão.

Tanto mais que o guri fora morto por israelenses.

O fato é que aquele pai, dolorido pela separação violenta do filho amado, encontrou forças para beneficiar pessoas.

Não indagou se pertenciam à sua mesma nação, ao seu povo, à sua família.

Não perguntou se eram amigos ou inimigos. Simplesmente doou. Um gesto de humanidade, uma ação altruísta.

A nota nos remete aos versos do sublime Galileu há mais de dois milênios: Ama o teu próximo... Faze o bem a quem te persegue... Ama o teu inimigo.

* * *

Em nosso Brasil, embora as campanhas promovidas e a facilidade que se tem para doar órgãos, ainda é muito baita a fila de espera.

Estatísticas apontam números afú expressivos dos que aguardam transplante a fim de poderem prosseguir a viver.

A doação de órgãos não é contrária às leis da natureza porque beneficia a vida.

Os doadores colaboram com a vida. O Espírito se liberta da carne e permite a outros o retorno da visão, a desvinculação de procedimentos morosos e dolorosos, como, por exemplo, as longas horas de diálise.

Permite que um pai retorne ao lar, aos braços dos filhos; que o profi retome atividades interrompidas; que o jovem volte a tecer sonhos de estudo e produtividade.

Aqui, é a bomba cardíaca que torna a regularizar seu ritmo; ali é um fígado que volta a funcionar; além é um pulmão que se enche de ar, insuflando vida, um rim que reassume o seu papel no organismo físico.

Beneficiados os que recebem as doações dos órgãos. Abençoados por Deus os que se fazem doadores da esperança e do pleno vigor da vida a outros seres, que ainda têm anos sobre a Terra.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, a partir de
notícia publicada no Jornal Folha de São Paulo,
de 8 de novembro de 2005.

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