AIDS na Visão Espírita

A AIDS é transmitida pelo retrovírus HIV que pode ser adquirido por via sexual, por transfusão de sangue ou por meio da mãe contaminada para o seu bebê no momento do parto ou da amamentação. Ele destrói as defesas do organismo de seu portador, estabelecendo-se a imunodeficiência, a AIDS, que se torna uma porta aberta para muitas infecções chamadas de oportunistas que acabam por debilitar o organismo e causar muito sofrimento ao indivíduo. Atualmente, existem coquetéis anti-retrovirais que impedem a sua multiplicação, auxiliando a evitar a AIDS propriamente dita, as doenças oportunistas e aumentando a expectativa e a qualidade de vida do portador.

Apenas de a título de explicação, não tendo o presente artigo o intuito de esgotar as explicações médico-científicas acerca do tema, passar-se-á à visão espírita da referida doença. O ser humano é imortal em sua alma, e vive um constante processo de evolução, trabalhado dentro de uma liberdade relativa que é dada por Deus. Nesse processo de liberdade, se o homem recai sobre um erro que fira a lei do amor, seu ser entrará em desequilíbrio tanto consigo mesmo, quanto com o universo. Nesse contexto, se o comportamento se tornar um hábito e um vício da alma, serão acionados mecanismos automáticos de reequilíbrio e de re-harmonização em relação à lei divina que está impregnada em sua consciência. Sendo assim, o homem acaba atraindo para si situações a que faz jus em determinado momento, sempre com o objetivo de crescer. Claro, muitas vezes essas situações não seriam necessárias, mas ocorrem em determinado momento evolutivo e suas dificuldades morais.

Diante disso, as doenças servem como um parâmetro do posicionamento do ser no mundo, refletindo seu pensar, falar e agir, o que se reafirma ao longo do tempo e de suas reencarnações. A doença é um convite da alma que manifesta seu momento evolutivo, seus conflitos, estado mental, emocional e suas necessidades como espírito.

Sabemos que ao reencarnar escolhermos as provas pelas quais iremos passar de acordo com nosso passado espiritual, nossas tendências e predisposições. Essas provas serão fonte de nosso progresso. É o que nos confirma o Livro dos Espíritos, na questão 258:

258 – Quando no estado errante e antes de se reencarnar, o Espírito tem a consciência e a previsão das coisas que lhe sucederão durante a vida?
Resposta – Ele próprio escolhe o gênero de provas que quer suportar e é nisso que consiste o seu livre arbítrio.

Explica ainda o Livro dos Espíritos na questão 264:

264 – O que dirige o Espírito na escolha das provas que quer suportar?
Resposta – Ele escolhe as que podem ser para ele uma expiação, segunda a natureza de suas faltas, e o faça avançar mais rapidamente. Alguns se impõem uma vida de misérias e privações para tentar suportá-la com coragem. Outros querem se experimentar nas tentações da fortuna e do poder, bem mais perigosos pelo abuso e mau uso que delas se pode fazer, e pelas más paixões que desenvolvem. Outros, enfim, querem experimentar-se pelas lutas que devem sustentar ao contato com o vício.

No livro ''Evolução em Dois Mundos'', capítulo XX, parte II, André Luiz, por intermédio de Chico Xavier nos demonstra que “as doenças infectocontagiosas se estabelecem sobre zonas de predisposição mórbida que existam no psiquismo e no corpo espiritual, como consequência natural da ressonância magnética e da necessidade de reequilíbrio do ser imortal. A infecção pelo HIV é uma circunstancia atraída pelo indivíduo para sua vida por variados motivos, que devem sempre ser individualizados, mas que, em linhas gerais, podemos dizer que oportuniza o desenvolvimento do auto amor, do auto cuidado, da individualização, o estabelecimento de limites e, sobretudo, a reeducação sexual e afetiva profundas, quando esta aproveita a condição para seu despertamento espiritual”.

Sendo assim, a AIDS, quando adquirida por meio de relação sexual denota que, na maioria dos casos, o ser se entregou a promiscuidade. A transmissão por meio de transfusão de sangue hoje é bem mais difícil devido aos controles existentes e utilizados pelos órgãos responsáveis pela coleta do sangue. Em relação às crianças que nascem infectas, a resposta está em suas encarnações, chegando a esta vida com tal enfermidade para sanar erros passados, como o suicídio, a promiscuidade, o desrespeito à vida.

Os portadores da AIDS sofrem muitos transtornos físicos, obviamente, mas também há que se falar que eles sofrem, principalmente, com o preconceito, o que é uma grande chaga. Vale lembrar que cada um de nós que não possui a doença, desencarnará assim como um portador do vírus. Somos todos iguais e o fim da vida material chegará para todos nós, por isso, não há que se tolerar qualquer preconceito com os seus portadores. Todos nós sofremos, e se sofremos é porque todos nós temos dívidas, cada qual com a sua bagagem.

Terminemos o artigo com um testemunho do espírito Franklin, que foi um portador da AIDS, e nos deixa a seguinte mensagem: “No meu caso em particular, a AIDS funcionou como o anjo da dor que me libertou das garras da viciação e do desequilíbrio moral. Talvez alguns estranhem por eu falar dessa forma, mas após a jornada triste e sombria que eu realizei, quando encarnado, nas loucuras do desregramento, a doença realmente funcionou como um freio, proporcionando-me a oportunidade de rever meus passos na vida moral e, graças à ajuda dos amigos espirituais, pude libertar a minha consciência do pesadelo do mal e do desequilíbrio” (psicografia de Ângelo Inácio pelo médium Robson Pinheiro).

Irmãos, sejamos solidários, compreensivos, caridosos. Não julguemos, ajudemos! Estamos todos numa fila para o fim da vida, e ninguém sabe qual é a sua hora. O preconceito não aumenta a vida de ninguém! Sejamos cristãos, todos nós temos nosso sofrimento, por isso, respeitemos e muito o sofrimento alheio.

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